Friday, June 1, 2012

Alfabeto

“Como é que está o B?” “Podes dar um recado ao B?” “Quando é que tu e o B aparecem?”
É complicado lidar com a inconveniência desta associação sem entrar em pormenores, ninguém entende, mas já antes o era assim. E, ardilosamente, finto constantemente este tema, sem dar muitas informações, sem grandes emoções. Porque estou a arrumar este assunto. A desconstrui-lo. A adaptar-me a um modelo novo. Mais light. 
Nunca juntar os meus homens favoritos foi tão pouco. 
Entendam que A e B por esta ordem de ideias, já não é um conjunto, já não é a sequência lógica deste abecedário, se é que alguma vez o foi, A e B já não significa apenas uma letra. São apenas dois símbolos aleatórios do alfabeto, outros agora se interpõem entre eles. Agora é, terá de ser AX, BZ, o que for. 
E do nada, conversas que nos esmurram o estômago “e vocês? Apostei uma nota em vocês” [sorrio, mudo de assunto, que isto nunca foi assunto].
Não saber de B é estranho. Parece fazer pouco sentido. Não haver assuntos que queiramos encetar, não haver a cumplicidade, a propriedade de nos conhecermos exaustivamente um ao outro, é… triste. Faz-me falta, tenho saudades. Tenho coisas para lhe contar, conselhos para pedir, sorrisos por partilhar, abraços por agarrar. Mas não. Foram demasiados encolheres de ombros. Agora é a minha vez. Eu mudei. As amizades e os afectos terão de se fazer valer por mim. Terão de me convencer que valem a pena, tal como são. Terão de me fazer sentir a pessoa especial que sou. Todos os dias. 
Mas não. Não somos gatos, mas deixamos para outras vidas o que já devíamos ter feito. 



Quanto ao resto, o futuro, apesar de incerto, começa a clarear. A opção provavelmente será a n.º 3. Seja como for.. um dia acordamos e está tudo diferente. Estaremos preparados?

Wednesday, May 30, 2012

3

Três modelos diferentes. Três realidades diferentes. Três perspectivas de vida. Apenas um ponto em comum.
A escolha só poderá ser uma.
Angola.
Moçambique.
Brasil.


Tuesday, May 29, 2012

Vêm aí tempos (ainda mais) difíceis. Vêm tempos de tempestade. Hoje foi um dia de perdas. E nós, todos alinhados, feitos bovinos, à espera de que um número, o nosso número, saísse na rifa para nos encaminharmos ao matadouro. Tinha de ser assim. Só podia ser assim. Atirem-nos com o balde de água gelada de vez, enquanto ainda estamos quentes. 


Tudo já está diferente. Tudo menos as saudades que se antecipam e as outras que já se sentem.

Até que um dia deixamos de pensar nisso e levamos o nosso dia a dia como se nunca tivesse sido diferente. Não sinto nada. Estou dormente. Ausente. Impassível. Intangível. Nada é surpreendente. Já tinha visto isto a acontecer. Tudo à minha frente. A única coisa que resta decidir é como agir sobre isto. Por-me a caminho. Já me fui desfazendo de algumas coisas. Há outras que não têm desfazia possível. 
Sangue e amor, isso não se descarta.

O resto, terá de ficar pelo caminho…

Hoje, em conversa com um amigo, percebi que me falta um [O]. Aquele com quem partilho valores e opiniões.   Com quem partilhava absolutamente tudo. Isso sim, sinto falta. Mas faz tudo parte de um processo. 

Monday, May 28, 2012

E hoje, pela primeira, vejo-me confrontada com a inevitabilidade da sobrevivência. Já não lugar aqui para mim, para aquilo que valho. Está na hora. Fazer as malas e partir. À procura de uma vida diferente. 
Uma vida melhor.

Friday, May 25, 2012

A vida é feita de tesão. E o tesão é feito de adrenalina. E a adrenalina é feita do novo. Nem que seja velho: a adrenalina é feita do novo.
(...)
Aprende: a vida é feita de virgindades perdidas – de momentos em que, pela primeira vez, sentes que havia vida para além da vida que era a tua; de instantes em que, pela primeira vez, ousas fazer o que nem sequer estava na tua vez. A vida, repito, é feita de virgindades perdidas: de virgindades vencidas – de virgindades que se vencem e que te fazem ganhar na vida.
Pedro Chagas Freitas

Banho de imersão. Longo. Vinho. Dois cálices. Banho. Som. Cozinhar para mim, mimar-me, cozinhar para alguém, mimar alguém, adoro. Amo. Devia ser proibido não cozinhar para alguém, todos os dias. Não dividir uma sobremesa. Não beijar alguém todos os dias. 

Felizmente, há uma virgindade que venço cada vez que faço amor.

Tuesday, May 22, 2012

Waiting


Ainda à espera. Que alguma sensação de perda se abata sobre mim como uma sentença, como a notícia da partida de um ente querido.

Nada. Ainda nada.

Só uma leveza nos movimentos. Talvez porque finalmente tenha chegado a perceber o meu valor. Porque sou mais e melhor. Porque tenho a consciência da dimensão da minha presença, da profundidade do meu carinho, da perspicácia do meu entendimento, da minha sensualidade, da beleza que não é só fútil. Eu sou uma grande mulher, porque já fiz grandes coisas, já consegui grandes resultados, já me superei a mim mesma por diversas vezes, consegui dar amor em cima de tudo e isso tem de ser grande. Isso tem de ter grande valor. Em vez de me lamentar, tenho-me olhado no espelho com uma espécie de agradecimento. Quantas mulheres me olham com desdém, com inveja? Olho-me e vejo que tenho [quase] tudo para ser feliz. Tenho tudo para procurar a minha sorte, se é que já a não encontrei.

Talvez seja por isso que estou leve, livre. Porque não consigo lamentar outras preferências. São o que são. 
Quem gosta de amêijoas, jamais terá dentes para me apreciar.

Ainda nada.

Nem tristeza, nem rancor. Precisava dela para justificar a minha decisão. Mas não. Nada. Não consigo perceber. Sinto apenas coisas boas. Hoje cresci mais um bocadinho.

I’m on my way [sorrio]. 

Monday, May 21, 2012

Posto isto, este assunto encerra-se definitivamente para mim. Não vou mais falar, escrever ou ler sobre isto. Não quero mais. Sinto, para além de tudo, um grande alívio por ter chegado ao fim. Nem tristeza, nem mágoa, nem vazio. Finalmente cheguei ao ponto da inevitabilidade. Os meus sentimentos e opiniões, nesta fase da minha vida, mudam ao segundo, e com isso não consigo bem lidar. Sei que eventualmente vou sentir saudades, mas agora não sinto nada. Talvez mais um sintoma de dormência.
Estou simplesmente disposta a virar a página e, desta vez, certa e convicta a cem por cento, que não quero o que me faz mal. Tenho uma estranha sensação de liberdade e de desprendimento. Acho que só quem é completamente honesto consigo próprio poderá verdadeiramente ser livre.
Este assunto fica entre nós. E nós, nunca mais seremos nós, mas apenas um e outro num tempo em que nos costumávamos conhecer.